Viajar é bom e a grande maioria gosta! Eu também! Só que, ultimamente, não tenho tido oportunidade pra viagens (há quase dois meses, desde a minha ída a Buenos Aires) por causa da rotina.
Eu, ontem, por exemplo, tava que tava nas ruas lá de Rio Grande, minha cidade natal, ao sul do Brasil. Sendo que eu também estava em São Paulo, de corpo presente, apenas!
Tiro, em alguns minutos do dia, a minha atenção daquilo que estou fazendo e me transporto pras ruas que cansei de passar, para minha casa e todas as dependências dela, e assim vou me limpando, me aliviando e me foratelcendo.
Chego a sentir o cheiro dos ambientes, móveis, meus bichanos (gatos) e ouvir vozes de pessoas importantes que deixei por lá. Adoro, até mesmo, lembrar do desodorante que minha mãe usava pra perfumar o banheiro, só que não recordo o nome, mas era maravilhoso. Tinha cheirinho de segurança!
A calma e proteção que sinto me concentrando em cada detalhe são apaziguadores. Lembranças que ficaram junto aos espaços que ainda são meus. Acho que o melhor de tudo e mais aliviante é isso: saber que as coisas continuam, digamos, no mesmo lugar e sempre representarão muito pra mim.
Imagino-me daqui a alguns anos, com muita bagagem de vida e histórias pra contar, chegando na minha cidade e ali percebendo que sou a mesma Clarisse.
Posso estar em qualquer canto desse planeta, em lugares maravilhosos, divertidos, mas sinto que jamais estarei ali totalmente. O pedaço que falta estará sempre fincado, enraizado à mil palmos debaixo da terra, no lugar onde nasci.
Não é louco isso? Parece até Hamlet - Ser ou não ser, eissssss minha questão! rsrs! Até me inspirei e escrevi um versinho:
Qualquer dia eu volto, qualquer hora estarei por aí!
Por enquanto que não chego, ao menos deixa eu me permitir
lembrar daqueles que me viram partir,
e sei que nunca os perdi.
Continuarei aqui a persistir,
pois sei que por pensamento
sempre estarei por aí.
P.S.: esse insight já tava me fazendo mal aqui trancado em mim. Bem, acabou de sair. Ufa!
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